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Nervos de aço

REVISTA UPDATE - AMCHAM Brasil - 05/08/2004

Pequenas e médias empresas brasileiras fazem aprendizado da paciência para vender na China

Pensar duas vezes antes de falar ou agir – um defeito nas palavras pode ser irrecuperável”, dizia Confúcio, o pai do milenar pensamento chinês, cujos ensinamentos perpassam até hoje toda a cultura da China, inclusive os negócios. A recomendada paciência antes (e depois) de agir começa a ser comprovada também na experiência das empresas nacionais de pequeno porte que vêm tentando conquistar um naco do maior mercado do mundo.

O número delas deverá crescer depois das sucessivas missões empresariais de parte a parte – como a de representantes da Shangai Sugar, Cigarettes and Wine, parceira da maior rede varejista chinesa, a Bailian, que acaba de vir ao Brasil conferir segmentos de interesse prospectados pela Apex, que vão de softwares a cafés especiais, e de cachaça, biscoitos e sucos a móveis, máquinas e autopeças. Do lado brasileiro, a meta é aumentar e diversificar os embarques – que ultrapassaram US$ 4,5 bilhões em 2003 –, mantendo-os no ritmo de crescimento superior a 50% do primeiro trimestre deste ano.

Um exemplo de “empresa paciente” é a Light Infocon, produtora de softwares de Campina Grande, na Paraíba, que iniciou contatos com importadores chineses há mais de dez anos e só agora vai fechar o primeiro negócio. “Todas as transações que envolvem tecnologia têm um forte componente político para os chineses, o que estende muito o tempo de maturação de uma venda”, diz Alexandre Moura, sócio da empresa. Ele participou da comitiva empresarial que acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China em maio, e os contatos na missão oficial parecem ter tido o condão de desembaraçar os entraves.

Vinculada ao pólo de tecnologia da informação de Campina Grande, a Light Infocon, que tem 43 funcionários, é membro do consórcio de exportação PBTech, vende ao exterior perto de 15% do faturamento, mantém distribuidores nos Estados Unidos, na Austrália e em Portugal, e considera a inserção de seus produtos no mercado chinês estratégica. A venda aos chineses de programas como o LightBase, com versões em inglês e em mandarim, poderá, enfim, se concretizar graças também ao projeto binacional Central-Web. Os ministérios de Ciência e Tecnologia e órgãos afins de ambos os lados avalizam a transação, cujo valor é mantido em segredo. “Tratando-se de softwares, o apoio dos governos é indispensável. E é justamente para as áreas de governo, com os chamados programas e-gov, que o potencial de nossos produtos é maior com os chineses”, observa Moura.

 
 
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