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Brasil começa a exportar software à África

Internacionalização - Gazeta Mercantil - 17/01/2007


Fim de guerra em alguns países, como Angola, amplia os investimentos em infra-estrutura

Pequenas empresas brasileiras de software já conseguem exportar para a África. Elas têm faturamento pequeno, todas inferiores a R$ 8 milhões, a maioria com contratos de algumas centenas de milhares de reais. O alvo mais comum tem sido Angola. Além da facilidade do idioma português, atrai o forte crescimento do país, ainda não fechado em 2006, mas previsto para atingir 26%, cinco anos depois da guerra civil.

É o destino da primeira exportação feita pela Execplan, fornecedora de software de análise de dados (Business Intelligence). Nesse caso, a venda foi feita por meio de um parceiro, a portuguesa Promosoft, que fornece sistemas de gestão para o setor financeiro e vendeu o produto da empresa paulistana dentro de um pacote. Na semana que vem, o presidente da empresa Antônio Augusto, vai a Lisboa acertar os detalhes da venda feita para o banco BRK, e as empresas de seguro Global e Mundial. No total, os contratos já devam representar 5% do faturamento da Execplan em 2007, previsto para alcançar R$ 9,2 milhões. “Angola foi uma surpresa, esperávamos vender antes em Portugal”, diz Augusto, que iniciou os contatos quando foi a Angola para participar do primeiro congresso de TI realizado no país no ano passado. “Mas não é nossa intenção ter escritório próprio, achamos importante ter parceiros com a cultura local.”

É uma estratégia diferente da paraibana Light Infocon, que comemora agora a primeira venda direta na África, também em Angola, de um software de gestão eletrônica de documentos. “É preciso cuidado, existe o risco de não receber. A legislação é complicada e não há sempre a força de lei nos contratos”, diz o fundador da empresa, Alexandre Moura, que já teve negócios antes no país por meios de revendas. Este contrato – feito com uma empresa mista, privada e pública, do setor financeiro – atingiu US$ 200 mil. A Light Infocon tem cerca de 15% da receita com as vendas para o exterior.

Ampliar as vendas para outros países na África não é uma opção, mas uma necessidade, como é o caso da USS Tecnologia, que vende sistemas para companhias aéreas. Como nesses países o mercado é concentrado em duas ou três empresas, a saída é diversificar. O primeiro contrato da fornecedora de software também foi em Angola, em abril do ano passado. Depois, vendeu para o Congo e, em dezembro, conseguiu colocar seu sistema em uma empresa nigeriana.

A expectativa dos empresários é que o bom desempenho da economia angolana se repita em todo continente. “Toda a África se tornou interessante. Estão saindo de guerras civis e investindo em infra-estrutura, como Internet, informática e transporte”, afirma o diretor da USS Tecnologia, Uriel Santiago. “Em geral procuram software europeu, mas o produto brasileiro está sendo bem aceito”. A USS tem linhas aéreas clientes como Total, NHT e Absa.

O risco, no caso da USS, é reduzido. A empresa vende o software na modalidade ASP – por aluguel. Se o cliente não paga fica sem o sistema. Mas atuar na África pode ter outros problemas. “Metade dos nossos programadores pegaram malária”, conta o cientista-chefe e fundador da carioca Idea Valley, Sérgio Cabral. Nesse caso, é mais difícil de evitar esse tipo de complicação porque a empresa tem de deslocar funcionários para o país. Cabral colocou em operação em novembro um sistema de monitoramento de rede Wimax vendido para o governo da Nigéria. O sistema, desenvolvido no Brasil para o grupo Abril, foi repassado para o cliente africano por US$ 1,5 milhão. Outro projeto para o mesmo cliente, feito em parceria com o Instituto de Pesquisas Espaciais, alcançou US$ 1,7 milhão.

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